quinta-feira, 3 de março de 2011

Premiê egípcio Ahmed Shafiq renuncia depois de pressão popular

Cairo, 3 mar (Prensa Latina) O premiê egípcio, Ahmed Shafiq, apresentou hoje sua renúncia, um dia antes da gigantesca mobilização convocada por setores populares com esse mesmo propósito, ao considerá-lo um estreito aliado do ex-presidente Hosni Mubarak.

  A direção do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), a instância à que Mubarak cedeu o poder no dia 11 de fevereiro, aceitou a decisão de Shafiq, que tentou sem sucesso esquivar-se dos protestos contra ele com uma maquiada remodelagem do gabinete.

Fontes do CSFA indicaram que o ex-ministro de Transportes Essam Sharaf foi encarregado esta manhã pela cúpula militar para formar um novo Executivo, para o qual se reuniu com membros da instância castrense para pontualizar os termos das nomeações.

De acordo com o jornal independente Al-Masry Al-Youm, Sharaf aceitou a missão "sem outra preocupação que o interesse popular".

Os movimentos juvenis revolucionários 25 de Janeiro, nome tomado da data em que iniciaram as manifestações que derrocaram o regime anterior, e 6 de Abril tinham fixado hoje como prazo máximo para que o chefe do governo renunciasse.

Caso não o fizesse, advertiram no início da semana, seria convocada outra "marcha do milhão" para a sexta-feira na central Praça Tahrir e outros lugares do país onde protagonizaram os 18 dias de mobilizações que obrigaram Mubarak a deixar a presidência.

Os jovens do Egito viam Shafiq como um vestígio do deposto regime, além de terem lhe criticado porque durante uma reunião do gabinete antes da renúncia de Mubarak debochou dos manifestantes "prometendo lhes dar caramelos, se desocupassem a praça Tahrir".

Por outro lado, muitos setores populares duvidavam da capacidade do já ex-premiê para supervisionar as mudanças exigidas durante a rebelião revolucionária, levando em conta que nunca foi conhecido como uma figura "pró-reforma ou anticorrupção".

Sharaf foi nomeado titular de Transportes em 2004 sob o gerenciamento do premiê Ahmed Nazif (substituído no final de janeiro por Shafiq), mas renunciou devido a um acidente de trem com saldo letal. Afirma-se que participou das marchas recentes contra Mubarak.

Entre as primeiras reações conheceu-se a do ativista opositor e Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que saudou a decisão do CSFA de aceitar a renúncia de Shafiq, cujo gabinete tinha quatro ministros do regime anterior.

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