A bolsa portuguesa encerrou pelo terceiro dia no vermelho, pressionada pelas acções da banca.
Num dia marcado pelo anúncio inesperado de que o BCE poderá subir juros no próximo mês, o índice que reúne as principais cotadas portuguesas, o PSI 20, recuou 0,33% para 7.947,62 pontos, encerrando com quinze títulos negativos.
Quanto às restantes praças europeias a tendência foi de ganhos, com os investidores a aplaudirem os resultados empresariais da cervejeira belga InBev e da Adecco, a maior empresa do mundo de trabalho temporário, que atenuaram o impacto do discurso de presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, em que admitiu a possibilidade de subir os juros no próximo mês. Trichet sustenta que as pressões inflacionistas estão a aumentar pelo que é necessário uma maior vigilância sobre a inflação.
Perante este cenário, o euro escalou rumo aos 1,4 dólares, renovando valores máximos de quatro meses. O mesmo sucedeu com os futuros das Euribor que dispararam perante a antecipação da subida de juros.
Os peritos avançam que o mercado esperava que Trichet mantivesse os juros baixos por um longo período e alertam para o impacto que o aumento do preço do dinheiro vai ter nos bancos, em particular nos países do Sul da Europa, como é o caso de Portugal.
Em Lisboa, foram efectivamente as acções da banca as que mais castigaram a bolsa, que fechou em queda pela terceira sessão consecutiva. O BES desvalorizou 0,8% para 3,21 euros, enquanto que o BPI cedeu 1,06% e o BCP perdeu 0,95%. Isto num dia em que o Diário Económico avança que os empréstimos do BCE vão ficar mais caros para os bancos portugueses.
Em sentido oposto, destaque para os títulos da EDP, que valorizaram 0,58% para 2,78 euros, bem como para a Sonaecom, que disparou mais de 4% para 1,48 euros, no dia seguinte à empresa ter apresentado um lucro recorde de 41,2 milhões de euros referente a 2010. A 'telecom' revelou também que vai atribuir pela primeira vez dividendos, de 0,05 euros por acção.
"Esta subida espelha os resultados recorde que a empresa registou em 2010 e o anúncio do primeiro dividendo", afirmou João de Deus, trader da Dif Broker.
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