terça-feira, 1 de março de 2011

Derrota de brasileiro comove os cariocas

“Não foi agora, mas a nossa comunidade teve visibilidade”, disse o líder comunitário Alexandre Freitas para as cerca de 3 mil pessoas que acompanhavam a cerimônia de entrega do Oscar pelo telão instalado na praça principal do bairro Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na baixada fluminense. O público se reuniu para prestigiar o catador Tião Santos que foi a Los Angeles torcer pelo documentário Lixo Extraordinário, do qual participou.

“Estou de smoking, vou pisar no tapete vermelho, mas em cada momento estarei pensando em vocês. O Oscar é nosso’’. Essa foi a mensagem de Tião para seus amigos e parentes, gravada antes da entrega do prêmio que acabou indo para Trabalho Interno. Ninguém escondeu o choro e Dona Gerusa, mãe de Tião, passou mal e teve que ser amparada por amigos.

O documentário Lixo Extraordinário, de Karen Harley, João Jardim e Lucy Walker, mostra o trabalho do artista plástico Vik Muniz com o lixo depositado no maior aterro sanitário da América Latina, localizado em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Em clima de final de Copa do Mundo, a festa começou por volta das 19 horas com direito a funk, pagode e à exibição de Lixo Extraordinário, que poucos ali tinham visto. Recebido com frieza pelo público da baixada fluminense, principalmente pelas partes em inglês, o resultado negativo da premiação foi recebido ainda como uma vitória. “Tudo o que ele fez foi para mostrar a nosso pai até onde poderia chegar. E, se ele estivesse vivo, veria que o Tião é um vencedor”, disse Carla Simone dos Santos, 37, irmã do catador.

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